D-DAY – Track by track

Escrito por: Vitória Roque

Revisado por: Julyanna Ribeiro e Mariana Castro

No dia 21 de abril, Agust D – pseudônimo de SUGA – divulgou seu primeiro álbum solo oficial, intitulado “D-DAY”. No entanto, apesar do lançamento ter marcado a sua estreia como solista, o trabalho sucede duas mixtapes lançadas gratuitamente: “Agust D”, de 2016; e “D-2”, de 2020.

“D-DAY” chega, assim, com uma bagagem já carregada pelo rapper, o que resulta em uma maturidade artística e versatilidade notáveis. O projeto apresenta 10 faixas muito bem amarradas, que fluem ao decorrer do tempo de execução do disco.

O trabalho inclui 3 singles: “People Pt.2”, com a participação de IU; “Haegeum” e “AMYGDALA”, sendo estes dois últimos pertencentes ao que o artista chama de “Trilogia Agust D” – uma narrativa apresentada ao longo de três clipes. A primeira parte da história já foi apresentada em “Daechwita”, faixa-título de “D-2”.

Além disso, a agenda de divulgação do álbum contou com o lançamento de um documentário, denominado “SUGA: Road To D-DAY”. Essencialmente, o filme mostra o processo de produção de todo o projeto. E o artista também complementa a nova era com a turnê “SUGA | AGUST D Tour”, que possui datas marcadas até junho.

Com isso, vamos analisar o novo álbum de Agust D, track by track!

TRACK STORY

D-Day

A abertura do álbum ambienta o ouvinte com a brutalidade já característica de Agust D. No entanto, essa agressividade é apenas estilística: a letra traz uma visão otimista e de aceitação do futuro, seja ele qual for.

No primeiro concerto de sua turnê solo (“SUGA | Agust D Tour”), ele declarou: “Como vocês sabem, muitas das minhas músicas solo são bastante intensas. Mas a partir de agora, quero contar minhas histórias com menos raiva”. Nesse sentido, a primeira faixa de D-Day funciona como uma síntese da mensagem passada pelo álbum.

Haegeum

A segunda canção do disco é imponente. Totalmente produzida e composta pelo rapper, o single foi escolhido como a faixa-título do projeto. “Haegeum” possui dois significados: é um instrumento tradicional coreano (presente no instrumental da música); e também significa “retirada de uma proibição”.

“Essa música é simplesmente sobre libertar o que é proibido / Mas eu realmente espero que você diferencie liberdade de auto-indulgência”, ele dispara na faixa. Acompanhado de um videoclipe frenético, o single aborda a conformidade da sociedade e a enxurrada de informações às quais estamos submetidos diariamente.

HUH?! (feat. j-hope)

“HUH?!” acompanha o colega de grupo de SUGA, j-hope. A faixa de trap-pop é, talvez, a canção mais tradicionalmente “Agust D” de todo o álbum. Ele e j-hope trocam versos agressivos sob uma batida sombria.

Em um episódio do programa “SUGA | Agust D Radio”, da Apple Music, ele comentou: “Estava procurando por rappers internacionais para uma colaboração, mas ninguém seria tão bom quanto Hobi”. A sintonia entre os dois é palpável em toda a duração da música, tornando-a um destaque do trabalho.

AMYGDALA

Depois de três faixas impetuosas, o álbum transita para um momento mais calmo. “AMYGDALA”, que abre esta segunda parte, também é um dos pontos altos do projeto. Sonoramente, a música traz uma mistura de trap, emo e pop rock que, combinados, resultam em uma produção igualmente melancólica e eletrizante.

O título refere-se às amígdalas cerebrais, estrutura que tem como função processar e regular memórias e emoções. A canção também faz referência ao livro “Amêndoas”, da autora Won-pyung Sohn.

A letra acompanha uma jornada por alguns momentos dolorosos para o artista – a cirurgia cardíaca de sua mãe, o câncer de fígado de seu pai e um acidente que sofreu em sua época como trainee, quando trabalhava como entregador. Essa é, com certeza, uma das músicas mais pessoais já lançadas por Min Yoongi (em todas as suas personas). Mas, apesar de ser angustiante, “AMYGDALA” mostra um processo de cura.

Isso é completado pelo clipe da faixa, que pode ser visto abaixo. No entanto, é preciso mencionar que o conteúdo possui gatilhos em potencial.

SDL

“SDL” (sigla para Somebody Does Love) chega com um groove suave e uma performance vocal de Agust D; e a melodia é apoiada pelos vocais de apoio de ADORA. A canção é posicionada perfeitamente na tracklist do álbum: aqui, o ouvinte ganha um momento para processar toda a carga emocional da última faixa.

O instrumental e melodia fornecem uma ambientação aconchegante para a música de amor. Porém, a batida tranquila disfarça sua mensagem nostálgica: “Realmente não há nada que saia como se deseja / As relações humanas são difíceis, como o esperado”, diz a letra.

People Pt.2 (feat. IU)

O primeiro single de “D-DAY” é uma continuação da faixa presente na mixtape “D-2”. A sequência que apresenta uma parceria com a cantora IU, remete às canções dos anos 2000, mesclada a uma leve batida de trap que traz a contemporaneidade da música.

Assim como na música original, “People Pt.2” contém uma reflexão existencial. Trechos da nova música, como “Dizem que a vida é uma luta entre resistência e submissão / Eu digo que é uma luta como solidão”, fazem um paralelo com “Dizem que os humanos são os animais da sabedoria / Para mim, é óbvio que eles são os animais do arrependimento”, presentes em “People”.

Polar Night

O soft rock de “Polar Night” pode parecer simples à princípio. Mas o que poderia ser apenas uma faixa branda ganha uma grande personalidade com os versos de SUGA. Aqui, o rapper prova que a versatilidade de flows não está apenas limitada às músicas mais agressivas.

A técnica do artista atrela-se diretamente à letra da música, que é, certamente, uma das mais significativas e distintas do projeto. Ele critica, aqui, a polarização na sociedade atual e a hipocrisia política. “Até verdades e mentiras são avaliadas de acordo com o gosto de cada um / Verdades incômodas são enfrentadas de olhos fechados / Hipocrisia seletiva e atitude desconfortável / A interpretação é feita apenas para atender ao humor de alguém”, fala.

Interlude : Dawn

“Interlude : Dawn” é uma faixa de transição. O interlúdio é composto por um instrumental que, no início, é minimalista, e vai ganhando tração ao decorrer do play. A produção é ressaltada por um solo de guitarra, que causa uma sensação sonhadora e tocante.

Snooze (feat. Ryuchi Sakamoto, WOOSUNG of The Rose)

“Snooze” é mais um ponto alto de “D-DAY”. Encontra-se o rap fluido de Agust D, o piano marcante de Ryuchi Sakamoto e a voz marcante de WOOSUNG. O produto final é uma faixa atemporal e épica.

A música é especial por mais de um motivo. Em seu documentário, SUGA conta que a música foi feita com a mensagem que ele queria passar aos seus artistas juniores. Além disso, a faixa é um dos últimos trabalhos de Sakamoto, consagrado músico japonês, que faleceu em março deste ano.

Em entrevista para a Rolling Stone, SUGA comentou a importância da colaboração: “Eu sinto muito a falta dele. Ele era uma das minhas inspirações. Ele participou do meu álbum com prazer, e a colaboração correu tão bem. Nós dois trabalhamos alegremente nessa música”.

Life Goes On

A música que fecha o disco passa a impressão do encerramento de uma jornada – neste caso, uma viagem de autoconhecimento. Mas, no fim de tudo, o ouvinte não sente que é apenas um passageiro; mas sim um parceiro em toda a trajetória.

“Life Goes On” de Agust D é a versão do artista para a faixa homônima presente no álbum “BE”, do BTS. Essa característica fica ainda mais evidente quando chegam os seguintes versos: “Vou pegar essa música emprestada e dá-la a você / As pessoas dizem que o mundo mudou / Felizmente, nossa relação ainda não mudou / Vamos dizer adeus, não adeus, olá”, uma referência direta à canção de 2020.

A música também é notória por ser a maior performance vocal do artista até então. Em clima de despedida – ou, melhor, um “até logo” –, ele canta: “Neste momento em que todos desmoronaram / Nosso relacionamento está indo mais longe do que ontem / A vida continua, a vida continua / A vida continua, a vida continua”.

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